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Silhueta de uma mulher de perfil, diante de uma paisagem urbana desfocada, com a representação de um celular e diversos ícones de aplicativos e redes sociais dentro da cabeça, simbolizando a influênci
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Perdi meu celular e com ele, parte do meu corpo.

por Mirtes Tatiane Alves3 min de leitura

Ele chegou aos poucos. Encurtou caminhos, colocou o mundo nas minhas mãos e, sem que eu percebesse, virou parte do meu corpo. Tornou-se um bem precioso, uma companhia, parte do meu cérebro, das minhas pernas e das informações que moldam minhas verdades. Nos tornamos um. Obrigatoriamente? Sim. Porque o mundo inteiro passou a caber em um celular. Nele está minhas relações, minhas necessidades, meus compromissos e parte da minha vida.

Tudo ficou mais rápido e mais viciante. Quantas vezes esqueci o celular em casa e senti aquela ansiedade? Aquela sensação de vulnerabilidade, como se algo essencial faltasse. Hoje isso já tem até nome: nomofobia (no-mobile-phone phobia). Parece exagero, parece piada, mas não é.

Foi justamente essa sensação que me fez refletir sobre a relação entre o ser humano e o celular. Percebi que a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta. Ela se tornou uma extensão das nossas capacidades humanas. Pesquisando sobre o tema, descobri que pesquisadores chamam esse fenômeno de cognição estendida (extended mind) parte do que antes dependia do cérebro agora é delegada a dispositivos externos. (O estudo é muito mais amplo em sua aplicação)

Essa transformação trouxe outro impacto que considero ainda maior. Muitas pessoas, por diferentes motivos, não conseguiram acompanhar essa evolução, que mudou a forma como nos relacionamos, acessamos serviços e nos comunicamos. Quem ficou para trás acabou tornando-se dependente de alguém para realizar tarefas simples e, ao mesmo tempo, mais isolado em um mundo que já não funciona como antes.

Hoje, acompanhar a evolução tecnológica deixou de ser uma opção. A cada dia surgem novas formas de trabalhar, consumir, aprender e se relacionar.

Agora vivemos a era da Inteligência Artificial, uma transformação que promete ser tão profunda quanto a chegada dos smartphones. Não precisamos dominar tudo, mas compreender o suficiente para continuarmos fazendo parte desse mundo.

Nós, que trabalhamos com tecnologia, carregamos uma responsabilidade que vai muito além do código. Cada produto, aplicativo ou sistema que criamos influencia como milhões de pessoas vivem, trabalham e se relacionam.

Por isso, a tecnologia deve ser sempre um meio, nunca um fim. Ela pode ampliar nossas capacidades, mas não substitui o que nos torna humanos, a empatia, a confiança, o senso crítico e as conexões que acontecem quando levantamos os olhos da tela.

Nós como construtores da tecnológica precisamos pensar: Estamos evoluindo a tecnologia para servir às pessoas ou estamos fazendo as pessoas servirem à tecnologia?

Olhando pela ótica da qualidade concluo meu devaneio com uma reflexão: “A tecnologia só cumpre seu propósito quando a qualidade de vida que proporciona é maior do que a dependência que cria.”

Parte do meu corpo perdido o MEU CELULAR já está encontrado e salvo, não estou mais isolada da sociedade! Ufa que alívio!

Mas como tudo que dá errado apresenta uma lição - Comecei a decorar novamente os números do meu Whatzapp. Ops, quero dizer, da minha agenda. Rs

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