
Nos últimos meses, me dediquei ao estudo aprofundado das características de qualidade de software e uma das certificações que mais me surpreendeu foi a de Usabilidade.
Embora seja uma característica fundamental da qualidade, ainda percebo que ela é pouco explorada na formação de muitos profissionais de QA. Como faz parte dos estrutura não funcional, é comum avaliarmos a usabilidade muito mais pela nossa própria experiência como usuários do que pela aplicação de técnicas e métodos específicos.
A usabilidade começa muito antes da execução dos testes. Ela parte da compreensão do contexto de uso, quem é o usuário, quais são seus objetivos, em que ambiente ele utiliza o sistema e quais desafios enfrenta. É esse contexto que deveríamos representar durante os testes, buscando avaliar se houve eficiência (quanto esforço foi necessário para realizar a tarefa), eficácia (se o objetivo da tarefa foi alcançado) e satisfação (a percepção do usuário sobre a experiência).
É totalmente possível que uma funcionalidade esteja tecnicamente correta e, ainda assim, ofereça uma experiência tão ruim que o usuário desista de utilizá-la. E, muitas vezes, esse problema nunca será registrado como um bug funcional. E é nesse contexto que representar o usuário durante os testes é uma forma do QA avaliar e talvez minimizar os impactos que o sistema pode causar na experiência de uso.
Onde entra a acessibilidade? Hoje, na área de testes, ainda temos pouco conteúdo voltado às especificidades da acessibilidade em testes, porém, a base lógica dessa análise começa na usabilidade, porque é nela que avaliamos como o usuário consegue utilizar o sistema. Com a usabilidade, definimos o que analisar: eficiência, eficácia e satisfação, como já mencionado anteriormente. Já a acessibilidade amplia essa avaliação ao estruturar o contexto de uso para diferentes perfis de usuários, considerando suas necessidades, as tecnologias assistivas e os recursos que possibilitam sua interação com o sistema. Por isso, usabilidade e acessibilidade são complementares. Mais do que amigas, são verdadeiras Best Friends!
Talvez não sintamos o peso da acessibilidade porque quem enfrenta uma barreira, muitas vezes, não consegue nem chegar ao ponto de reclamar. Apenas desiste. E é exatamente por isso que ela precisa fazer parte da visão do QA.
Entendo que vivemos em um mercado de TI em que a velocidade das entregas faz parte da rotina. O tempo é cada vez mais escasso e, muitas vezes, lutamos apenas para fazer o básico, por isso as discussões sobre automação de testes estejam sempre em evidência.
Mas acredito que a acessibilidade não precisa começar com grandes projetos ou especialistas. Se cada QA começar a se interessar pelo tema, entender seus princípios e incorporar pequenas práticas ao dia a dia, já teremos dado um passo importante para mudar nosso mindset e construir produtos que realmente possam ser utilizados por todos.
Qualidade é olhar além do sistema e representar quem o utiliza.
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