A maior mentira que contei para mim mesma sobre acessibilidade foi acreditar que ela não era para mim.
Durante anos, eu realmente acreditei nisso. Para mim, acessibilidade era um tema voltado para pessoas com deficiência. Um assunto importante, mas distante da minha realidade. Eu até acreditava que não tinha as habilidades necessárias para testar acessibilidade. Hoje eu percebo o quanto essa visão era limitada. Comecei a estudar mais profundamente o tema e fiz o curso gratuito da WCAG. A maior mudança não foi técnica, foi de perspectiva. Entendi que acessibilidade não é sobre "o outro". É sobre todos nós. Todos nós vamos envelhecer. Se Deus quiser. Nossa visão vai mudar, nossa audição pode mudar, nossa coordenação pode mudar. Um acidente, uma doença ou até uma limitação temporária podem transformar completamente a forma como interagimos com a tecnologia. Então por que esperamos o problema bater à nossa porta para reconhecer a importância da acessibilidade? No universo de QA, falamos muito sobre automação, IA, segurança, performance... e tudo isso é importante. Mas por que acessibilidade ainda é tratada como um diferencial, quando deveria ser uma responsabilidade de todo QA? Talvez nem sempre consigamos mudar o processo da empresa em que trabalhamos, mas sempre podemos influenciar. Podemos levar conhecimento, questionar decisões e defender que a acessibilidade deixe de ser um requisito opcional para se tornar uma premissa. No fim das contas, estamos construindo a tecnologia que um dia nós mesmos vamos usar. Acredito que uma das maiores contribuições do QA seja influenciar a construção de uma tecnologia mais humana. Porque, no futuro, nós também seremos usuários das decisões que ajudamos a tomar hoje.
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